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domingo, 16 de setembro de 2012

O Casamento -- 8 Frio ;frio como gelo


Frio , frio como gelo.
O sol entrava forte pela janela , Isabella estava espalhada na cama, esperou Edward voltar para o quarto mas ele não voltou. Sua barriga estava dando sinal de vida e fora esse motivo que a fez acordar, girou pela cama em busca de outro corpo, mas apenas achou o vazio. Fez sua higenie pessoal e desceu para encontrar Edward já vestido e pronto para sair.
_Vamos. _ele disse vendo-a se arrumar, mas não gostara nada do que via. _Vamos tomar café num restaurante e depois vamos comprar algumas coisas, minha mãe e acho que meu pai vão gostar de algumas lembranças. Ele disse como se a opinião dela não importasse. _Aproveite e compre algo para você.
O mau humor dele era visível, Isabella ainda pensou em retrucar, mas desistiu assim que ele deu as costas para ela indo para a porta. Isabella o seguiu até o carro, deduziu que ele havia alugado para poder passearem hoje. Isabella não poderia reclamar: estava tendo uma lua-de-mel, ou era pra ser uma lua-de-mel a final estava casada, mas um casamento de fachada e muito mentiroso. Estava em Orlando um lugar onde suas economias jamais a levariam, e numa casa que jamais teria condições de comprar ou alugar para passar férias.
O café da manha fora num grande hotel daquela cidade, Edward era amigo do dono, um homem já com uma certa idade chamando Peter, um senhor sorridente e muito divertido que fez companhia ao casal até a hora de partirem para as compras. Edward comprou algumas lembranças para a família toda e teve que forçar Isabella a comprar um vestido que ele mesmo escolheu, porque o que ela queria levar a deixava com cara de uma senhora de 80 anos, uma velha decrépita. Como alguém bonita como ela conseguia se envelhecer tanto assim, as roupas que ela usava a deixavam anos-luz mais velha. No final da manhã caminharam para a praça de alimentação onde almoçaram em silêncio, o único barulho que se ouvia era dos talheres batendo no prato.
_Preciso ir ao banheiro. _ Isabella disse caminhando em direção ao banheiro feminino do shopping.
Edward ficou do lado fora esperando a esposa que parecia não querer mais sair de dentro daquele lugar. Algumas mulheres suspiraram ao passar para entrar no banheiro, até algumas senhoras de idade que dariam um dedo para ter homem como ele em sua cama. Quando Isabella saiu do banheiro não pode deixar de ver os olhares maliciosos de algumas mulheres para seu marido, um sentimento de posse e ciúmes falou mais alto e isso fez com que a jovem caminhasse a passos largos e passar o braço em volta do braço do marido de maneira ardilosa e ao mesmo tempo possessiva, mostrando a todas ali que ele tinha dona, mesmo que fosse uma dona por contrato.
_Com ciúmes querida? _Edward perguntou próximo ao seu ouvido não contendo o risinho.
_Apenas deixando claro algumas coisas. _ela disse como quem não quer nada e o tema da conversa não fosse algo inacreditável para os dois —receio que você não vai querer que acione aquela cláusula onde você me dará mais dinheiro caso me traia.
_Pensando em meu bolso... _ele disse com azedume na voz _Não devia se preocupar tanto, afinal está arrancando de mim bem mais do que uma simples multa por traição.
Era verdade, a multa que Edward pagaria a Isabella caso a traísse não era nada comparado ao que ela levaria no final daquela farsa toda. Eles saíram dali deixando os olhares gulosos das mulheres que o desejavam para trás, seguiram para o carro em silêncio, Isabella perdida em seus pensamentos e Edward em suas lembranças.
Lembranças do Edward
_Poderia ficar assim para sempre com você. _uma voz doce disse ao seu ouvido enquanto saía do cinema ao lado da bela mulher.
_Eu também. _ ele disse beijando os doces lábios da bela mulher.
Foram dias felizes, onde tudo o que havia no coração do homem de gelo era amor, ele sabia o que era felicidade, a alegria, ele ainda sentia seu coração bater em seu próprio peito.
_Você é o homem da minha vida. _a mesma voz disse olhando em seus olhos verdes.
_Assim como você é a dona do meu coração. _ele disse, suas mãos faziam carinhos no belo rosto
da mulher.
Fim da lembrança do Edward.
Mas no final era tudo mentira, cada palavra que saíra daquela boca era uma grande mentira, nunca houve amor, não da parte dela, ele se entregou à paixão e tudo o que recebeu em troca fora desilusão.
Edward balançou a cabeça afastando de vez aqueles pensamentos que tanto o perturbavam, afastando as lembranças que tiravam seu chão e seu bom humor, se é que existia isso nesse homem frio.
_Abra a porta. _Isabella repetiu suas palavras, ela não deixou de notar o quanto ele parecia perturbado.
–_Dirija. _ele disse dando a ela as chaves do carro e indo para o banco do passageiro, ele não tinha condições de dirigir assim.
Isabella dirigiu o caminho todo em silêncio, o único som que se ouvia no carro era do rádio ligado, Edward parecia cada vez mais distante, olhar em seus olhos era como ver um precipício sem fim. O carro fora estacionado na frente da casa de praia, ele saiu deixando Isabella sozinha com todas as compras que foram feita. Caminhou em direção ao mar, a cada passada ele ficava mais longe de casa e da realidade.
...
Isabella estava preocupada, Edward ainda não havia voltado, já passava de nove horas da noite e ela não conhecia nada ali. Ela já tinha pensando em ligar para ele, mas o celular havia ficado no carro junto com as compras. Ele estava estranho, e isso aconteceu na noite passada logo após ele dizer que já tinha amado alguém. Seria esse o motivo da sua perturbação? Ou será que o homem de gelo estava ficando louco?
Isabella foi até a porta e quando já estava pegando o casaco para ir atrás dele na praia, a porta fora aberta e acertou em cheio a jovem mandando-a direto para o chão.
_ Ficou louca? _ Edward disse se abaixando para ajudá-la a se levantar _O que fazia atrás da porta?
Com mão colada à testa Isabella deixou alguns gemidos de dor saírem por sua boca, mas fora o sangue em sua mão que fez a jovem correr direto para o banheiro e vomitar tudo o que havia jantado, colocou tudo para fora.
_Que droga! _ela gemeu quando, por fim, parou de vomitar.
O cheiro de sangue ainda estava forte, ela prendeu a respiração se sentindo enjoada, sempre teve enjôo quando sentia cheiro de sangue e, para alguém tão desastrada como ela, sofrera muito passando por situações bastante constrangedoras. Edward entrou no banheiro junto com ela e pegou o kit de primeiros socorros. Ele sabia que o ela tinha, quando mandou o amigo pesquisar sobre a vida da secretária de seu primo, pediu um dossiê completo, e nele continha a informação de que Isabella não conseguia ver ou sentir o cheiro de sangue sem passar mal, já havia sofrido muito devido a isso, às vezes era tão ruim que chegava a desmaiar.
_Sente-se melhor? _ele perguntou se ajoelhando perto dela e levantando sua cabeça viu um pequeno corte em sua testa _Mas que diabos você fazia atrás daquela porta?
_Estava indo atrás de você. _ela disse de olhos fechados.
Edward limpou o pequeno ferimento, colocou um curativo pequeno, nada muito grande, afinal o corte era superficial e nem precisaria levar pontos.
_Eu não preciso de babá. _ele disse _Vai se deitar, vou tomar um banho e comer alguma coisa.
Isabella bufou, ainda se sentia enjoada, mas aquela atitude dele só a deixava mais irritada ainda.
_Qual é o seu problema? _ela perguntou com os olhos fechados e respirando fundo _Será que é tão difícil você esboçar um pouco de gentileza? Ninguém tem culpa de sua raiva ou dos seus problemas, você parece que odeia o mundo e tudo o que está sobre ele. Qual é o seu problema?
Ele olhou para ela que agora mantinha um olhar firme sobre ele. Ela poderia ser frágil algumas vezes, mas ainda sabia ser petulante Edward pensou e sorriu torto para ela.
_Talvez seja o mesmo problema que o seu. _ele disse _Só que, ao contrário de você, ninguém me pisa, sou eu que faço isso. _ele disse e Isabella ficou pálida _Você faz com que as pessoas sintam pena de você, o sentimento mais miserável do mundo e é o que você desenvolve nas pessoas. _deu um riso seco _Patético, enquanto você faz isso eu faço o oposto de você, as pessoas tem medo de mim ,me respeitam.
_Elas te odeiam. _Isabella disse, interrompendo o rapaz que gargalhou.
_Ódio, um sentimento bem melhor do pena e compaixão não acha? _ele provocou queria que ela saísse de sua zona de conforto e o confrontasse, ela precisava crescer, parar de sonhar e achar que todos eram bonzinhos, parar de dizer que fazer alguém sentir ódio ou raiva de você era errado _Patética, as pessoas não dizem que através do ódio vem o amor? Me diz você o que vem através da compaixão e pena?
_Para! _ela gritou ficando de pé _Você é incapaz de sentir algo bom. _ela caminhou para a porta _Não me surpreende em nada que esteja sozinho, que ninguém te queira por perto, as pessoas te odeiam e você acha isso bom, você é louco.
O grito de Isabella ecoou no banheiro, mas nem isso fez Edward tira sorriso de vitorio que tinha nos lábios. Ela saiu e ele trancou a porta, fora um avanço fazer a menina educada gritar com ele, fora algo novo e ele sabia que Isabella também achava o mesmo. Era difícil acreditar que Edward algum dia já fora como Isabella, mas tudo muda quando um coração é quebrado em vários pedaços, o tempo passou e ele ficou frio, sua fama correu o mundo e ele virou esse homem de gelo que todos temiam e odiavam, só havia duas pessoas que conseguiam um ato gentil dele: sua mãe Elizabeth, que muitas vezes não estava por perto para receber esse carinho do filho, e uma outra pessoa, uma que tinha toda a atenção e carinho dele, mas ninguém sabia que existia essa pessoa, pouco era vista.
Claro que havia um grande motivo para que essa pessoa tão especial para o homem de gelo ficasse em segredo, por ue essa pessoa era seu ponto fraco, era seu elo com a humanidade que bem pouco sobrevive dentro dele.
Sim, Edward já fora a cópia frágil de Isabella, já teve medo de pessoas mais poderosas, já foi humilhado por ser fraco e magrelo nos tempos da escola, sua beleza ajudou a atrair mulheres, mas não fora assim sempre. Na escola ele era um carinha nerd que usava aparelho e óculos, não tinha forças para encarar de frente o capitão de time de futebol e sempre era jogado dentro da lixeira da escola por ele e seus amigos de time. Mas Edward era feliz, tinha a namorada que amava perdidamente e ela era linda, era daí que vinha a raiva dos outros, além de rico e mimado, o cara nerd tinha a namorada mais gostosa para os padrões escolares, isso era uma afronta à grande elite da escola.
Mas então seu mundo desabou e ele se viu em uma situação cruel e sem saída, ele precisou crescer antes da hora, precisou virar homem antes do tempo, claro que Carlisle tentou ajudar, mas Elizabeth não deixou, tudo acontecera tão rápido e ele perdeu o chão quando a namorada o deixou, todo amor que ela um dia jurou sentir por ele acabou assim de estalo, rápido. Ela se foi mas deixou algo bom, a única coisa boa que aquela mulher poderia ter deixado. Edward mudou, entrou para as forças armadas, fora o mais jovem soldado a virar tenente, depois de quase dois anos servindo às forças armadas pediu dispensa e voltou para casa, entrou na faculdade e se formou com louvores e glórias, Carlisle sentiu orgulho do filho, mas foi por pouco tempo, ele e Edward nunca se deram muito bem e ficou ainda mais difícil conseguir isso, depois que seu filho voltara das forças armadas, ele estava diferente, mudado, no começo Carlisle achou que havia mudado para melhor, mas com o tempo viu que seu filho tinha virado homem frio, frio demais para sua pouca idade, achou que era culpa era das forças armadas, mas depois viu que o filho havia criado um muro mantendo a ele e todos os demais longe. Talvez uma maneira de se autoproteger, a forma que Edward encontrou para não ser atingido de novo por nada e por ninguém. Agora ele era forte, toda a beleza que ficava escondida agora era bem visível, seu aparelho fora retirado e os óculos substituídos por lentes de contato, ele agora era rico, poderoso e bonito, o pacote completo, mas com uma coisa a mais: tinha gelo no lugar do coração.
...
Edward saiu do banho e encontrou Isabella deitada na cama, o rosto estava molhado mas ela dormia, havia chorado, sentiu um leve aperto no peito por ser o culpado por aquelas lágrimas, nunca suportou ver mulher chorar, não era tão forte para isso, mas saber que Isabella chorara por sua causa não o deixou feliz, o fez sentir culpa, mas não a ponto de pedir desculpas.
                                        

_Você entenderá com o tempo. _ele sussurrou ao cobrí-la com um lençol _A raiva e só o começo para tudo Bella.
Ninguém saberia do que ele estava falando, nem mesmo Isabella, mas tinha mais coisas do que até mesmo a pobre Isabella sabia, nessa história ela não fora escolhida por acaso no meio da multidão, tinha bem mais, muito mais ali.
Continua...

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