Jul M

Oi

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Descendentes -- Capitulo 38


Capítulo 38 
– Algo estranho no paraíso

P.O.V. Edward

Passei a tarde toda com Bella, conversamos sobre muita coisa, mas claro, falar dos seus poderes e família foi a única coisa que não falamos. Tinha medo do que podia acontecer se tocasse nesse assunto.
- Boa noite. – Digo, entrando em casa.
- Oi, querido. – Elizabeth disse, ela estava sentada na mesa de jantar com vários livros nas mãos.
- O que está fazendo? – Eu pergunto.
- Nada demais, só lendo alguns livros de magia antiga.
- De quem são esses livros? – Eu pergunto.
- Daqui do acampamento. – Ela diz. — Algumas dessas magias são ensinadas para jovens bruxas, Carlisle me chamou para dar aula de magia para uma turma de bruxas. Achei melhor dar uma lida antes de colocar minha cara em uma sala de aula. – Ela diz, sorrindo. — E você, querido, de onde está vindo?
- Estava com a Bella. – Digo e ela me olha.
- Como ela está?
- Acho que bem, mas sem lembranças.
- Sinto muito, querido. – Ela diz.
- Tudo bem, mãe, acho que todos nós temos que nos acostumar com isso, isso é um fato, ela não vai lembrar.
Ela não disse nada, apenas fez aquela cara de quem sentia pena de mim, essa cara eu vi muitas vezes desde que isso aconteceu com Bella, suas lembranças apagadas e todos esperando que eu desista porque ela não vai lembrar de mim.
Subi a escada indo para meu quarto, mas fui pego por Thomas no meio do caminho, que me puxou para o seu quarto.
- Que papo é esse de trazer de volta as memórias da Bella? – Ele pergunto.
- Vai com calma. – Eu digo. — Tia veio com essa conversa mas...
- Está fora de questão. – Ele diz e eu estreito os olhos para ele.
- Você sabia? Você sabia que era possível reaver as memórias dela?
- Eu convivi com uma bruxa negra, conheço algumas magias. – Ele diz e caminha em direção a janela. — Esse encantamento é perigoso demais, se a pessoa não tiver coração puro não vai resolver nada, apenas causará a morte dos dois.
- Eu sei. – Eu digo. — O que aconteceu com Tia? Para onde você levou ela?
- De volta para o acampamento. – Ele me informa. — Vamos encontrar ela e os outros hoje à noite, meia-noite. Tente manter Lucy fora disso e longe.
- Lucy anda ocupada. – Eu digo. — Ela está armando alguma coisa.
- E você não sabe o que é? – Ele pergunta.
- Infelizmente, não. – Lucy é difícil, ela não confia facilmente.
- Ela quer você. Por que não usa isso a teu favor?
- O que está sugerindo?
- Seduza ela.
- Ficou louco? Bella é minha namorada.
- Só você lembra disso. – Thomas diz e sorri. — Veja como uma jogada de mestre.
Abro minhas mãos, mandando uma jorrada de vento, jogando ele contra a parede.
- Qual é, Edward? – Ele diz, caindo no chão contra a parede. — Era brincadeira.
- Edward, Thomas, é melhor vocês dois pararem com isso. Não me façam subir aí, garotos. – Mamãe gritou do andar de baixo.
- Brincadeira errada.
- Certo. Precisamos achar uma maneira de tirar ela de cena. – Thomas comenta.
- Isso é fácil. Vem comigo. – Digo, saindo do quarto e descendo a escada. — Mãe, cadê o papai?
- No escritório. – Elizabeth informa. – O que vocês estavam fazendo lá em cima?
- Nada, só conversando.
- Destruir a casa não é conversa. – Ela informa e eu sorrio para ela.
Saindo da sala de jantar, segui com Thomas para o escritório, meu pai estava perdido em papéis, revisando relatórios de missões feitas.
- Oi, meninos. – Ele disse, sem nem ao menos nos olhar. — O que desejam?
- Queremos que faça algo para a gente. – Eu digo e ele levanta a cabeça. – Você pode dar uma missão para Lucy hoje à noite?
- Por que isso agora?
- Preciso de espaço e ela não deixa. – Digo e ele sorri.
- Tentando se livrar da garota?
- Quase isso. – Digo e ele respira fundo, pegando o telefone e fazendo uma chamada.
- Oi, Félix, quero que Lucy, a bruxa, vá com você na missão de hoje à noite. – Ele diz e Félix diz algo. — Sim, apenas tenha cuidado para ninguém sair ferido, é apenas uma missão de levantamento de território, porém, não sabemos como anda as coisas, tenha cuidado. – Então ele desligou – Problema resolvido, veja lá o que está aprontando, isso vale para os dois.
- Obrigado, pai. – Eu e Thomas falamos junto e ele sorriu.

(...)

P.O.V. Tia

Estávamos na praça principal com Emmett e Rosie, Thomas e Edward.
- Para começar. – Thomas disse. — Bella se recusa a querer aprender novamente a lutar. Outra coisa, as lembranças dela não vão volta.
- E agora vem a parte chata. – Edward diz. — Eu e Thomas achamos que Renée não está morta.
- Pode ser verdade. – Eu digo e eles me olham. — Parem para pensar, Bella perdeu a memória após a morte da mãe. Ela já estava no limite, então quem armou tudo isso pode ter forjado a morte de Renée só para Bella ativar a marca dos deuses.
- É o que eu e Thomas pensamos. – Edward falou.
- Como chegaram a essa conclusão? – Rosie pergunta.
- Eu estava com Bella quando Renée foi atacada e morta, o ataque foi real, mas a morte parecia uma grande ilusão, sabe? Com um pouco falha, mas ilusão. – Thomas explica.
- Pode ser. – Eu digo, chamando a atenção novamente. — Nós, bruxas negras, podemos criar ilusões reais e falsas, usamos o medos das pessoas para criar ela. Bom, para todo ser humano a perca de alguém querido despertaria algo, no caso de Bella pode ter ativado a marca da maldição.
- Então pode ter sido uma bruxa negra. – Edward diz. – Mas como os Apanhadores de Alma entraram no acampamento?
- Do mesmo jeito que entraram nas outras vezes. – Emmett diz. — Alguém deixou entrar.
- Então tem alguém jogando junto com Margarida. – Edward informa.
- Lucy. – Rosie acusa.
- Não. – Eu digo. — Lucy deseja Margarida morta, ela tem os motivos dela, motivos que eu não sei. Duvido que ela arriscaria tão alto. Talvez ela tenha tirado proveito da situação toda. – Digo e ela me olha. – Tente entender, para Lucy, Bella é sua maior rival, alguém que ela nunca poderá se comparar. E Bella tem Edward. Acho que no final, tudo que Lucy quer é tudo que Bella tem.
- Ela pode ter criado a ilusão sobre a morte de Renée. – Thomas diz. — Ficaria fácil, principalmente se Bella perdesse as lembranças.
- Pode ser. – Eu digo e Rosie analisa atentamente a situação. — Ilusões é o maior poder de uma bruxa negra, quando temos completo domínio sobre esse poder, fica difícil saber o que é real e o que é mentira.
- E se Renée nunca tivesse chegado de fato ao local do atentando? – Rosie pergunta, chamando atenção.
- Como assim? – Edward pergunta, curioso.
- Era uma ilusão o tempo todo, talvez seja real, alguém queria ativar a marca da maldição de Bella. Mas para quê?
- Ainda não entendi. – Thomas disse.
- Renée nunca esteve no campo de batalha. – Eu digo. — Ela foi pega antes, por isso a morte parecia faltar algo.
- Tia, você consegue descobrir se era ou não uma ilusão? – Edward me pergunta.
- Não é fácil. – Eu digo. — Já tem tempo que aconteceu, fora que se tratando de ilusão eu teria que ter visto para poder dizer se é ou não.
- Tem que ter uma jeito. – Thomas diz, andando de lado para outro. Eles realmente querem a verdade.
- Podemos trazer as lembranças dela de volta.
- Não. – Tanto Thomas quanto Edward gritaram ao mesmo tempo.
- Existe um grande perigo em fazer isso. – Thomas diz, Rosie e Emmett nos olham sem entender.
- Está fora de cogitação essa possibilidade. – Edward diz.
- E que tal se vocês acharem Renée? – A voz não era de nem um de nós que se encontrava ali, logo a pessoa saiu das sombras, era Jasper e ao seu lado estava Alice, eu realmente não ia com a cara dela. – Não foi assim que Bella descobriu a verdade sobre sua mãe? Por que não usar o mesmo método?

Ficamos todos em silêncio analisando o que o jovem Halle disse. Ele poderia ter razão sobre isso.
- Eu posso fazer o feitiço de localização. – Me ofereço.
- Só tem um problema. – Thomas diz. — Precisamos ter algum fio de cabelo ou algo que pertence ou pertenceu a Renée.
- Sangue. – Digo calmamente. — Bella usou o sangue de Ana para achar Elizabeth.
- Só que Bella não é filha biológica de Renée. – Edward informa. – Ela não tem filhos biológicos.
- Voltamos a estaca zero.
- Acho melhor sairmos daqui. – Alice diz. — Os soldados estão voltando de suas missões.
Thomas e Edward se entreolham e então passam as mãos pelo cabelo em um gesto nervoso.
- Acho melhor irmos. – Thomas diz. — Lucy está voltando, não seria bom ela encontrar todos nós aqui.
- Amanhã damos um jeito de nos reunir. – Edward diz. — Alice e Jasper, por favor, nada de falar sobre isso com alguém.
- Sem problema. – Jasper diz. — Nem uma palavra será dita.
- Obrigada. Acho melhor irmos. – Digo e todos começam a ir embora, mas eu seguro o braço de Thomas. – Preciso falar com você.
- Diga.
- Por que você me beijou hoje mais cedo?
Ele ficou me olhando como se tentasse ler minha mente, o que estava pensando, então ele coça a cabeça novamente e sorri de canto.
- Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. – Ele disse.
Foi algo rápido, tão rápido que nem mesmo eu tinha notado, minha mão foi certinho na cara dele lhe dando um tapa forte, eu girei meus pés e saí andando em direção ao meu alojamento.
- Idiota. – Sussurro enquanto ando.

(...)

P.O.V. Bella

As coisas pareciam parcialmente calmas pelo acampamento, meu pai andava trabalhando bem mais do que o normal, ele nunca falava da mamãe e pouco ficava em casa, passava mais tempo preso em seu laboratório.
Todos à minha volta parecia estar pisando em ovos, com medo de falar e medo pergunta, medo do que eu possa lembra. Ninguém sabe que eu sei a verdade, que eu sei que nunca vou lembrar do que eu esqueci, também sei que naquele diário tem muita informação, mas por algum motivo eu me recuso a ler, nunca abri ele nem uma vez, li apenas a carta que estava fora dele, ele continua fechado e lacrado.
Quando eu não estava em casa, eu estava com Rosie, e realmente o namoro dela com Emmett eu consigo fazer várias piadas, Tia aparece às vezes conversamos um pouco e então ela parte. Thomas sempre me traz flores e faz convites estranhos, ou talvez sejam piadas que eu não sei, o humor dele é bem estranho. Passo também boa parte do meu tempo com Edward, ele me fala sobre nós, às vezes coisas legais, às vezes coisas irritantes, às vezes fala sobre nossas brigas. Mas sempre existe admiração em sua voz.
Eu gosto de estar com ele, Félix tentou me fazer voltar a treinar, mas eu me recuso, talvez dessa vez eu possa ser apenas eu, sem ser um soldado perfeito criado por Caius.
- Bella. – Eu levanto a cabeça, encontrando lindos olhos verdes na minha frente. — Quer passear?
- Claro. – Digo, me levantando e sorrindo. — Achei que não fosse lhe ver hoje.
- Estive ocupado. – Edward me diz.
- Estava em missão?
- Não, estava resolvendo alguns problemas. – Ele me diz. — Como estão as coisas?
- Tudo na mesma. – Digo. — Meu pai está passando mais tempo no laboratório do que em casa, estou começando a ficar preocupada.
- Talvez ele só esteja com medo de voltar.
- As pessoas morrem, essa é a lei natural da vida.
- Isso era o que a antiga Bella falava. – Ele me diz.
- Não existe antiga Bella, existe apenas eu.
- Bella, você precisa voltar a treinar. – Ele me diz. — Eu tenho medo de que algo aconteça com você.
- Eu não quero usar mais as minhas armas. – Eu digo, olhando para ele. — Eu estava lá e não pude fazer nada para a salvar, do que adiantou todo o meu treinamento?
- Bella. – Ele sussurrou, segurando meu rosto.
Sabe, ele era exatamente o que eu descrevi na carta, o único cara que conseguiu tocar meu coração, ele causava umas reações estranhas em mim. Seguimos andando pelo acampamento e acabamos na casa dele, Elizabeth foi super gentil comigo e eu almocei com eles, Thomas também estava lá, só que estava mais pensativo e mais calado. Assim que terminamos ficamos na sala conversando um pouco e então Thomas saiu para seu quarto e Elizabeth saiu, indo para biblioteca do acampamento. Fiquei conversando e rindo com Edward, assistimos alguns filme e então as horas foram passando e tudo lá fora foi ganhado tons escuros.
- Acho melhor eu ir. – Digo, vendo que já era noite.
- Fica mais um pouco. – Ele diz, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Pode ficar para o jantar.
- Melhor não. – Digo. — Eu já almocei aqui.
- Tenho certeza de que minha mãe não vai se importar.
- Mas eu vou. – Digo. — Meu pai está sozinho.
- Só mais um pouco, levo você em casa. – Ele me diz, sorrindo.
Então eu não consegui me segurar, em um movimento eu estava beijando ele, sentindo o gosto e a maciez dos seus lábios, era mais forte do que eu, eu o desejava, era um desejo tão forte que não conseguia me controla.

 Eu o beijei e ele correspondeu à altura, aos poucos nossos beijos foram ficando mais urgentes e sua língua invadiu minha boca, me torturando ainda mais com seu gosto.
As minhas mãos ganharam vida indo para seu cabelo e a dele começaram a percorrer a lateral do meu corpo, me puxando para ele cada vez mais. Quando notei estava sentado em seu colo enquanto voltamos a aprofundar o beijo.
Assim como o beijo foi do nada, todo o resto que aconteceu foi do nada também, meu corpo estava deitado sobre o pequeno sofá da sala, a camisa dele estava no chão, minhas unhas arranhavam sua costa com força enquanto ele abaixava a alça da minha blusa, Edward distribuía beijos em meu rosto, descendo para o pescoço, dando uma leve mordida e fazendo um caminho de beijos pelo meu ombro. Então ele rasgou minha blusa, deixando meu sutiã à mostra. Com um sorriso safado no rosto, ele voltou a me beijar. 

Foi nesse momento que a porta foi aberta e um grito chamou nossa atenção.

(...)

P.O.V. Edward

Eu nunca me senti tão envergonhado, nem mesmo quando estava com Nane no mundo dos humanos ela tinha me deixando em uma situação tão constrangedora quanto meu pai estava me deixando.
- Você tem noção do que estava fazendo, seu irresponsável? – Ele gritou, pela quinta vez eu acho.
Bella estava usando uma camisa minha, eu e ela estávamos no sofá, com ela ao meu lado enquanto meu pai tinha um surto de moralidade, francamente, eu tenho dezoito anos, ele realmente espera que eu fosse ainda virgem? Francamente, acho que nem meu tio Carlisle é tão careta assim.
- Pai, não acha que está exagerando? – Eu questiono.
- Exagerando! – Ele grita. — Exagero vai ser Charlie Swan querer matar você por ter deixado a filha dele grávida!
Eu nunca pensei nessa possibilidade, eu e Bella já transamos tantas vezes e nunca me recordo de ter usado preservativo com ela. Eu olho assustado para ela, que dá de ombros.
- Ele ia obrigar Edward a casar, caso ele recusasse, ele matava. – Ela diz para meu pai, ficando de pé. — Relaxa, eu não estou grávida. Eu me cuido. Boa noite, senhor Masen, Edward.
- Oh, oh. Devagar aí, mocinha, ainda não terminei. – Ele diz, puxando ela novamente para o sofá. — Esse namoro de vocês não vai seguir desse jeito, estou avisando, ficarei de olho.
Tive vontade de sorrir, se meu pai soubesse que eu já dormi com Bella aqui em casa, debaixo do nariz dele. Talvez ele ficasse mais puto do que está agora.
- Thomas. – Ele grita para meu irmão, que eu sei que está ouvindo tudo do andar de cima.
- Qual é, pai? Não vou bancar a babá do meu irmão. – Ele diz, surgindo no topo da escada. — Não vai rolar.
- Acompanhe Bella em casa. Edward, está de castigo, só sairá de casa para missões e ir para as aulas.
- As aulas já vão voltar? – Bella perguntou.
- Sim, semana que vem. – John informa. – E esse namoro será supervisionado.
- Você está brincando, né mesmo? – Eu digo, irritado, estou me sentindo uma criança agora.
- Não, Edward, eu não estou brincando, e tampouco quero um filho meu morto por desvirtuar a filha dos outros.
- Desvirtuar. – Bella diz, sorrindo, então para quando olha a cara do meu pai, ele está furioso.
- Você é uma péssima companhia, irmãozinho. – Thomas diz, já colocando um casaco e indo em direção à porta. — Vamos, donzela em perigo, vou deixar você em casa.
Eu olhei sério para meu irmão, odiava esse humor dele, era tão irritante. Bella sorriu discretamente e então saiu. Meu pai continuou falando e falando muito pelo fato de ter nos pego naquele estado.

(...)

P.O.V. Thomas

Eu estava me acabando de rir, Bella estava séria ao meu lado durante a caminhada, não consegui, tive que fazer piada sobre o acontecido. Ela estava ficando irritada, então quando ela me segurou pela gola da camisa eu sabia que era hora de parar.
- Então como está seu pai? – Eu pergunto, puxando assunto.
- Na mesma. – Ela diz. — Tia! – Ela chama a bruxa que está do outro lado da praça e então ela sumiu, ignorando completamente Bella. – O que você fez para ela? – Bella perguntou.
- Por que exatamente eu tenho que ter feito algo para ela?
- Porque está só você e eu, ela me olhou e sorriu, e quando ela te olhou ela fechou a cara e sumiu. – Bella diz.
- Notou tudo isso? – Eu pergunto.
- Tenho ótimos olhos. – Ela diz. — O que aconteceu?
- Nada.
- Sério?
- Qual é? Esquece. – Digo.
- O que você fez?
- Eu beijei ela. – Digo e ela para, me olhando. – Lucy, estávamos fugindo de Lucy.
- E você beijou ela?
- Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
- Espero que ela tenha pelo menos socado sua cara. – Bella diz.
- Ela me deu um tapa.
- Já é um começo. – Bella diz e sorri. — Talvez da próxima vez ela arranque sua cabeça.
- Por que ela ficou com tanta raiva? Foi só um beijo. – Digo.
- O primeiro beijo dela, eu também ia matar você.
- Era o primeiro beijo dela? – Eu pergunto, surpreso.
- Você é burro, hein? – Ela diz, sem me olhar. — É claro que é o primeiro beijo, Tia nunca conheceu garoto algum, deveria pedir desculpa para ela.
- Ela vai me matar. – Digo e Bella ri.
- Bem que você merece. – Bella diz. — Se não tem intenção de corresponder aos sentimentos dela, é melhor não fazer ela se apaixonar.
- Foi só um beijo. – Eu digo.
- Para você talvez, para ela pode ter sido bem mais.
- Eu desisto, vocês garotas são complicadas. – Digo, parando em frente a casa dela.
- Bom, o problema é seu mesmo. – Ela me diz, olhando para a casa. — Tia é uma ótima bruxa negra, talvez amanhã você acorde com três olhos ou virou uma garota. Nunca se sabe, tudo é possível para uma bruxa negra.
- Você é pior do que Tia. – Digo e ela sorri da minha cara e entra.
Eu gosto dessa Bella, mesmo ela não lembrando de tudo ela manteve seu humor negro, é divertido ver o modo como ela anda lidando com tudo. Mas algo me deixa preocupado.

(...)

P.O.V. Bella

O ataque veio rápido, usei um escudo de contenção, meus olhos encontraram a figura que se escondia nas sombras.
- Uma vez soldado, sempre soldado. – Caius disse.
- Ficou louco? – Eu questiono. — Me atacar dessa maneira?
- Você é rápida. – Ele diz. — Mesmo se recusando a treinar, você não esquece algo essencial para sua sobrevivência. Você ativou o escudo de contenção. Bloqueando meu ataque.
- O que você quer na minha casa? – Eu pergunto.
- Apenas tenho algo para lhe dizer, talvez lhe interesse.
- Duvido que algo que venha de você seja interessante.
- Margarida levantou acampamento. – Caius me diz. — Por algum motivo estranho ela está voltando para o seu reino, aquele que você destruiu.
- E daí? O que espera que eu faça?
- Que a mate.
- Sabe que ela não pode morrer. – Digo. – Tá aí algo que nós dois sabemos bem, é que Margarida não pode morrer facilmente.
- E você sabe o por quê dela não poder morrer?
- Todo mundo sabe que Margarida arrancou o seu próprio coração e escondeu em algum lugar, fazendo dela uma criatura imortal, para matá-la tem que acertar o coração.
- Mas você sabe onde está o coração?
- Claro que não. – Digo e vejo decepção em seus olhos. — Nunca descobri, e mesmo se descobrisse não seria para você que eu contaria. Agora faça o favor de sair da minha casa.
- Sempre direta, Bella, acho que é isso que me fascina em você.
- Talvez seja seu mau-caratismos mesmo. – Digo. – Agora sai ou jogo você para fora.
- Calminha, já estou indo.
Então ele some do mesmo jeito que apareceu do nada.
- Esse jogo é bem perigoso. – Sussurro para mim mesma. –  Mas eu também posso jogar.

(...)

P.O.V. Ana

A noite estava perfeita, uma linda lua estava no céu coberto por estrelas, seria perfeita, mas falta algo.
- Ela realmente não lembra. – Lucy diz, aparecendo do nada em meu quarto.
- Como sabe?
- Estive com ela. – Lucy diz. — Ela lembra da lenda, mas não lembra onde está o coração.
- É mentira. – Digo e Lucy me olha, levantando uma sobrancelha. – Não acredito, Bella está mentindo, algo não se encaixa.
- O que não está se encaixando é essa sua obsessão. – Lucy diz. — Chega, Ana, é apenas uma lenda, ninguém nunca viu se é verdade ou não. Margarida domina com perfeição a arte da ilusão, talvez ela só tenha nos iludido até agora.
- É por esse motivo que eu acredito que ela tenha feito isso. – Digo. – Sabe por que Margarida queria tanto John para ela?
- Pelo mesmo motivo que você, acredito.
- Existe uma lenda sobre os Dráculas. – Eu digo. — Se você beber o sangue de Drácula, você vira imortal.
- Então é só pegar uma amostra do seu cunhado e beber.
- Errado, minha querida Lucy. – Eu digo, odeio sua ignorância. — Sabe por que eu gostava de conversar com a Bella? Ela sempre sabia o que eu estava falando. Já você eu sempre tenho que explicar. O sangue tem que ser concedido pelo próprio Drácula, não pode ser roubado, ele tem que dar de coração. Por isso é só uma lenda, nunca foi testada.
- Como prova de amor?
- Como prova de amor. – Eu digo. — John não me daria o sangue por vontade própria, ainda mais agora que ele me odeia. Margarida esperava que ele desse o sangue para ela, só que nunca aconteceu, então ela encontrou outro jeito de ter a tão sonhada imortalidade. Arrancando seu coração e colocando em algum lugar nesse mundo.
- Já parou para pensar que o coração pode estar o tempo todo com ela? – Lucy diz.
- Já, mas seria óbvio demais, ela escondeu, eu sei disso. – Sigo. — Bella sabe onde, eu sei que ela sabe.
- O que as bruxas negras como Margarida podem fazer?
- Tudo, quando uma bruxa negra atinge um alto nível de magia, pode-se dizer que ela pode fazer tudo, até mesmo morrer e voltar a vida.
- E se eu quisesse me tornar igual a ela
- Lucy, você não tem metade da magia que Margarida tem. – Eu informo. — Ela é uma bruxa completa.
- E Bella? O que Bella é?
- O que Bella é? – Digo, analisando. — Filha de Ares, deus da guerra, filha de Margarida, uma bruxa negra completa. Bella tem mais poderes do que a maiorias dos Soldados de Elite, perdendo apenas para o Drácula, o poder de Drácula não tem tamanho, tem muita lenda sobre os Dráculas, eles podem dar vida ao morto. Assim dizem.
- Você não disse. – Lucy questiona. — Bella, o que é a Bella?
- Na pior das hipóteses. – Digo. — Nosso pior pesadelo.
- Pior do que Margarida?
- Bem pior. – Digo. — Caius acredita que ela seja a única capaz de matar Margarida, e infelizmente começo a achar que ele tem razão.
- Eu não vejo mais desse jeito.
- Oh, querida, sua inveja por ela é grande demais para poder ver detalhes. – Digo. — Já lhe disse uma vez e direi novamente, esse seu desejo incontrolável vai acabar te matando.
- Ela matou meus pais. – Lucy grita. — A única vontade que tenho é tirar tudo dela e eu vou fazer.
- Ela era só uma criança como você.
- Ela é um monstro. – Lucy diz e some, me deixando sozinha.
- Lucy, minha querida, se você soubesse que seu pais estavam trabalhando para a rainha, talvez essa sua ira fosse contida, mas eu sei que você deseja essa vingança, não importa o que eu diga, você ainda vai querer matar ela. – Digo para mim mesma, voltando a olhar para céu que continuava em todo a sua glória.

Continua...

“Entendam, eu não estou preso aqui com vocês, vocês estão presos aqui comigo.”
                                                   ― Watchmen

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Descendentes-- Capitulo 37


Capítulo 37 

– Jogada de Mestre

P.O.V. Bella

O funeral da minha mama foi o evento mais triste que eu já participei, era como se eu morresse há cada segundo que ficava ali. Eu não recordava de nada, nem mesmo o ataque do qual ela me salvou, arriscando sua própria vida. Esme disse que eu havia perdido a memória, meu pai não deixou ninguém se aproximar de mim, a não ser aquela mulher estranha.  Caius tentou se aproximar, mas meu pai mandou ele ficar longe. Parecia que eu estava esquecendo algo importante.
Eu não conseguia sentir como se minha mãe estivesse morta, pelo contrário, eu sentia ela cada vez mais viva.  E isso estava me deixando bem intrigada e quase enlouquecendo.
Durante o funeral eu observei algumas coisas, o casal Hale estava de volta ao acampamento, assim como sua filha, Rosie. Rosie não era inimiga, eu era a única que sabia disso, mas como ela havia voltado para o acampamento? Ela estava infiltrada no acampamento inimigo. Havia um homem e uma mulher ruiva ao lado do primeiro ministro e também um par de gêmeos que não paravam de me olhar. Outra coisa estranha foi aquela mulher vir falar comigo e meu pai, quem seria ela? Ela se parecia muito com a mulher ao lado do primeiro ministro. E por fim Alice não estava no funeral e os filhos dos deuses estavam no acampamento. Alguma coisa estava acontecendo e eu precisava saber.
- Você devia descansar. – Charlie me diz assim que estamos em casa.
- Vou para o meu quarto. – Digo.
- Bella. – Ele me chama antes que suba a escada. – Fique em casa esses dias, não receba visita, ainda não sabemos em quem podemos confiar. Você pode não lembrar, mas algumas coisas aconteceram e está mudando tudo à nossa volta.
- Tudo bem. – Digo e olho para ele. — Quem era o casal ao lado do primeiro ministro?
Charlie enruga a testa e parece que ele não quer falar sobre o assunto, mas então se rende.
- É o cunhado e a irmã dele. – Charlie diz. — Eles são a primeira geração de Dráculas, a primeira linhagem com o nome dele e John Masen é filho legítimo de Hércules.
- Uma linhagem poderosa. – Digo.
- Os dois rapazes ao lado deles são seus filhos. – Ele informa. — Edward e Thomas Masen. Conversaremos a respeito deles amanhã, você precisa saber de algumas coisas em relação a esses jovens.
- Tudo bem. – Digo, já tinha informação demais para eu analisar. — Boa noite, pai.
- Boa noite, Bella.
Enquanto subo a escada meu pai funga no andar de baixo, ele estava chorando, e tudo era minha culpa, mama não teria morrido se não fosse por minha causa. Abro a porta do meu quarto, está diferente, a cor das paredes estão roxas e lilás, devo ter feito isso antes, estava escuro e um movimento suspeito na sombra fez com que eu ativasse minha adaga e levo direto ao pescoço do intruso.
- Não vou machucar você. – A voz era de garoto. – Pode abaixar a adaga?
- Quem é você? E por que está aqui no meu quarto? – Eu pergunto, sem abaixar minha adaga do seu pescoço.
- Thomas, Thomas Masen. – Ele diz e então recordo de quem ele é filho. — Somos amigos, você pode não lembrar, mas somos amigos.
- Por que está aqui? – Eu pergunto.
- Eu vim lhe entregar algo. – Ela diz, então me mostra um pequeno embrulho muito bem lacrado.
- Você abriu? – Eu pergunto.
- Não, você lançou um encantamento sobre isso, seja lá o que for apenas você pode abrir. – Ele me informa.
Desativo minha arma e pego o embrulho das mãos dele, era algo retangular e pesado, tinha um formato estranho. Me pergunto o que poderia ser. E ele pareceu ler minha mente.
- Não sei. – Ele diz, olhando para o embrulho. — A única coisa que você me disse foi que era para eu devolver para você.
- Quando eu fiz isso?
- Há três semanas atrás. – Ele me informa.
- O que disse?
- Você apareceu na minha casa no meio da noite. – Ele me informa, era bem a minha cara fazer isso. — Você entrou pela janela e me jogou esse embrulho e disse: “ Guarda para mim”, então eu perguntei o que era e você novamente disse: “Algo que vou precisa”, então eu falei: “Por que então não deixa com você?”, Aí você disse: “ Thomas, vou arrancar sua cabeça, apenas guarda isso, e quando você achar que for a hora me entrega novamente.”, então você foi embora.
- Está me entregando isso agora por quê? – Eu pergunto.
- Acho que você vai precisar. – Ele me informa. — Eu não sei o que é, só sei que você não me entregaria se não fosse importante.
- Obrigada. – Digo. – Agora saia do meu quarto.
- Você realmente não lembra de nada?
- Esme disse que eu perdi a memória. – Eu informo. — Ela diz que pode ser temporário, ou não, mas que futuramente descobriremos.
- Você não lembra do Edward? – Ele questiona.
- Por que eu deveria lembrar?
- Porque você é alimentadora dele. – Ele me informa e então eu fico surpresa. — E namorada dele.
Meu coração dispara, e então eu sinto minha voz faltar. E antes que eu pudesse dizer algo ele já tinha ido embora. Lá estava eu sozinha tentando entender o que estava acontecendo.
(...)
Depois de fechar a janela eu me jogo na cama e pego o embrulho, o abrindo. Assim que abro eu dou de cara com um papel lacrado que parecia uma carta e um caderno de coro preto que mais parecia um diário. Abri primeiramente a carta, essa estava solta e assim que abri reconheci a minha letra.
“ Querida Bella”

“Aqui sou eu, ou melhor, você. Nesse momento você deve ter esquecido tudo, tudo o que aconteceu nos últimos meses ou até mesmo anos, ou não, eu não saberei dizer quais memórias você perdeu dessa vez, pode ser pouca ou muita coisa, pode ser coisas bobas ou coisas realmente importantes. A primeira vez que aconteceu você era uma criança, e suas lembranças foram apagadas de você. O nome disso é a marca da maldição, ou marca dos deuses. É o jeito de conter todo poder que você possui, e acredite, são muitos. Alguns poderes você descobriu recentemente, tipo como usar o elemento gelo e o raio, também existe o elemento madeira. São elementos novos que você aprendeu. Mas tem outras coisas que aconteceram ao longo desses meses ou anos, existe dois irmãos, um é Thomas, ele é quem vai lhe entregar esse caderno, você pode confiar nele. Ele foi treinado por Caius, assim como você, ele morreu algumas vezes antes de virar o soldado perfeito, ele tem uma espada de fogo, só para você saber, então nunca abaixe a guarda para ele, e outra coisa, ele tem sangue de bruxa negra nas veias, isso te dirá alguma coisa, você vai descobrir rápido o significado disso, até porque você tem sangue de uma bruxa negra correndo em suas veias. E o outro é Edward, ele é um cara idiota, completamente burro, estúpido muitas vezes, e que vai deixar você com raiva, muita raiva dele, mas esse cara é o único que conseguiu tocar seu coração, por algum motivo você é completamente apaixonada por ele. Nesse momento em que escrevi essa carta vocês estão meio brigados, mas você sempre invade o quarto dele à noite. Você pode confiar nele, ele nunca fará mal a você. Então confie nele, mas não diga tudo que sabe, continue fazendo o que faz de melhor apenas observando. E Rosie está de volta, ela está namorando Emmett, você faz ótimas piadas desse relacionamento, ela é confiável. Existe uma pessoa que você também pode confiar, o nome dela é Tia, ela é uma bruxa negra, foi ela que lançou o encantamento sobre esse caderno onde apenas você poderá abrir, então pode contar com ela sempre que precisar, ela vai lhe ajuda, talvez algumas vezes você terá que ameaçar para fazer o que deseja, mas ainda assim ela é confiável. E sobre os outros, mantenha a sua guarda sempre posta, nunca abaixe. Mais uma coisa, dentro desse diário tem informações importantes para você, você descobrirá que algumas pessoas que estão aí não são confiáveis, e acredite, para cada uma delas existe o motivo para você não confiar e lhe digo todos. E tem mais, existem informações que ninguém sabe, essa guerra está longe de terminar, e você é a única que conhece a forma de acabar com ela. Eu conto tudo novamente para você nesse diário, cada detalhe do que sei e o que foi apagado de suas lembranças.
P.S: Você vai encontrar informações sobre seu pai, Ares, deus da guerra, ficará surpresa em saber o quanto ele mudou. Leia sempre que tiver dúvida em relação a alguém, no final do caderno existe uma maneira que vai ajudar você com o treinamento sobre seus novos poderes, acredito que você aprenderá rápido como sempre.”
“Com carinho Bella”
Eu leio e releio cada parágrafo dessa carta, porém, algo me intriga, eu sabia que algo assim ia acontecer, por isso deixei tudo pronto para que possa me lembrar, mesmo não sendo minhas lembranças verdadeiras.
Eu tinha razão, tem algo acontecendo, não foi só impressão, existe algo acontecendo e eles estão tentando esconder isso de mim ou tentando me proteger, só não sei qual das opções é a verdadeira.
(...)
P.O.V. Thomas
Quando Bella apareceu em meu quarto três semanas atrás me entregando aquele embrulho eu sabia que algo estava por vir, mas nunca pensei que fosse isso, suas memórias indo embora.
Eu realmente não sei o que tem naquele embrulho, mas se tratando de Bella não deve ser nada confiável e bastante perigoso, já que ela lançou um encantamento sobre ele.
- Oi. – Edward diz, aparecendo na porta do meu quarto. – Você viu a Bella?
- Sim.
- Ela lembrou de você? – Ele pergunta.
- Não. – Eu sei que ele quer mais informação, mas não posso dizer a ele o que fui fazer. – Acho melhor você não esperar muita coisa dessa Bella, talvez ela não lembre de mais nada sobre você.
- Eu sei. – Edward me diz. — Falei com Charlie, ele disse que Esme contou para ela que pode ser temporária a sua perda de memória.
- Isso é mentira. – Eu digo.
- Eu também sei. – Edward diz. — Bella nunca mais lembrará de nada. Eles estão escondendo dela novamente tudo sobre a marca dos deuses.
- Acha que isso é bom? Quer dizer, quando ela descobrir de novo sobre isso vai ficar com mais raiva ainda.
- Acho que é um jeito de amenizar a dor. – Edward diz. – Charlie disse que ela se sente culpada pela morte da mãe.
Eu olho para meu irmão, ele está devastado, então chegou a hora de jogar todas as cartas na mesa, mas para isso eu preciso saber o que ele sabe de verdade.
- Eu sei de algo que pode muda tudo. – Digo e Edward me olha atentamente. – Mas primeiro preciso saber, de que lado você está?
Edward me olhou durante um bom tempo, como se analisasse cada palavra minha. Então ele sorriu de canto, aquele sorriso que Bella diz que é a marca da família, e passou as mãos pelo cabelo entrado de vez em meu quarto e fechando a porta.
- Sei de tudo. – Edward diz, me olhando. — E que os traidores estão aqui.
Levanto uma sobrancelha, dando um sorriso de canto para ele, então ele sabe a verdade, talvez sempre soubesse.
- Lucy. – Eu digo.
- Ainda não sei quais são as intenções verdadeiras dela, porém, ela faz de tudo para me agradar.
- Bella diz que ela tem duas caras.
- Como assim? Você conversava com ela sobre isso?
- Bella sabe bem mais sobre Lucy do que nós dois juntos. – Eu informo. — Mas você também sabe como é a Bella, ela nunca diz tudo o que sabe, apenas vai soltando aos poucos e observando.
- Ela sempre foi assim. – Ele me diz. — Mas Lucy não é a única que eu desconfio, Ana também nunca foi confiável para mim.
- Ela é nossa tia. – Eu digo
- Eu sei, mas Margarida neutralizou seus poderes. – Ele me informa. — Nossa tia não pode mais usar armas e nem mesmo magia.
- Como sabe disso? – Eu pergunto.
- Acha que escolhi Caius como meu treinador por quê? Ele é outro que sabe bem mais do que deixa escapar.
- Não importa. – Eu digo. — O que descobri recentemente é que talvez Renée não esteja morta.
- Como?
- No dia da morte dela, quando tudo aconteceu. – Eu começo a explicar. — Parecia que tudo não passava de uma grande ilusão. A sua morte apenas, já as outras coisas eram reais, o corpo dela caído no chão, tudo parecia estar preso a uma grande ilusão.
- Apenas conheço duas pessoas que poderiam fazer isso. – Edward diz. — Uma é a margarida e a outra é Bella.
- Você sabia? – Eu digo, surpreso.
- Sim, eu descobri no dia que parti. – Edward fala. — Bella pode não ter os poderes de bruxa negra, mas ela consegue dominar muitas técnicas e essa em especial ela tem controle, é algo que está relacionado com sua genética.
- Mas não foi Bella. – Eu digo.
- Não, realmente não foi. – Edward diz, caminhando em direção a janela. — Quem fez a simulação da morte de Renée queria que Bella ativasse a marca dos deuses, quem fez sabia que ela estava no seu limite, e que algo muito forte e chocante poderia ativar, por que não a morte da sua mãe?
- Então você também acha que o ataque, a morte, tudo está interligado?
- Sim. – Ele diz. — Só precisamos saber quem fez tudo isso.
- Só tem uma coisa que eu queria saber. – Eu digo e Edward me olha. – Onde Renée está?
- Isso é o que vamos descobrir, irmãozinho.
No olhar de Edward dava para notar que ele tinha um plano em mente, ele tinha bem mais do que uma ideia, talvez ele já tivesse esse plano bem antes de tudo isso acontecer.
(...)
P.O.V. Tia
Quando Bella falou comigo três semanas atrás ela pediu para eu lançar um encantamento sobre um embrulho. Confesso que no começou eu odiava a Bella, ela tinha um jeito arrogante e extremamente mandão, mas com o tempo eu via que ela era diferente, fazia piadas no momento errado, era sempre sarcástica, tinha um olhar assustador quando estava com raiva, mas sempre estava disposta a dar a vida pelo o que ela acreditava. Eu fiz o encantamento e antes dela partir com o embrulho ela me disse algo que não consegui esquecer.

“Lembrança”
- Sabe, Tia, você é esperta demais para o seu bem. – Ela comentou.
- Por que está dizendo isso?
- Nada. – Ela disse e me olhou. – Talvez você entenderá mais para frente, nem tudo é o que parece ser.
“Fim da lembrança”
Então ela saiu, me deixando sozinha. O que ela disse não saiu da minha cabeça, quando voltei para o alojamento encontrei Lucy conversando com Carmelita, era como se ela estivesse ameaçando Carmelita de algo. Depois ela saiu sem dizer nada, Lucy estava mais forte depois que ela voltou do treinamento, ela se sentia incrível, acho que até mais forte que Bella, esse era seu desejo, sempre foi, ela sempre quis tudo que era da Bella, até mesmo Edward. Mas com os dias comecei a ver que havia mais coisa, sempre houve mais coisa entre elas.
Quando o acampamento foi atacado e Bella foi ferida tive certeza que algo estava fora do nosso controle, e agora olhando Lucy e Ana conversando na praça centro-oeste eu sei que elas duas estão tramando algo. E só agora entendo o que Bella queria dizer sobre nada ser o que parece.
(...)
Meu movimento foi rápido, mas ainda assim meu corpo foi jogado contra a parede e uma faca foi colocada em pescoço.
- Por que você está me seguindo? – Edward me perguntou, estávamos no castelo central do acampamento onde ficavam as masmorras.
- Preciso falar com você. – Digo e então ele guarda sua faca. – Longe de todos.
Ele olha em volta então faz sinal com cabeça para eu lhe seguir e saímos andando, até que chegamos em um lugar onde ninguém pode nos achar e nos ver, um lugar que eu não conhecia.
- O que você quer?
- É sobre a Bella. – Eu digo e ele respira fundo. — Eu sei de algo que ninguém sabe.
- O que você sabe, garota? – Ele diz e está tenso.
- Existe um jeito de recuperar as lembranças de Bella.
- Como? – Ele diz e segura meu braço. — Do que você está falando?
- Está me machucando. – Eu digo e ele solta meu braços. — Bom, para explica tenho que começar pelo começo, quando tudo surgiu.
- Então comece, tenho todo o tempo do mundo.
- Quando Zeus, o todo poderoso, amaldiçoou os filhos dos deuses que foram gerados sem amor ele precisou de uma bruxa negra para fazer isso, a magia não lhe cabia. – Digo a ele. – Deuses são imortais e tem os poderes de controlar os elementos, já nós, bruxas, mexemos diretamente com magia, lançamos e quebramos feitiços.
- O que você quer dizer? – Ele pergunta, impaciente.
- Existe dois jeitos de recuperar as memórias perdidas dela. – Informo ele. — Mas todas duas são arriscadas e perigosas.
- Por que está me dizendo isso? – Ele quer saber.
- Nessas últimas semanas andei observando Ana e Lucy de longe. – Digo e ele está prestando muita atenção. — Ana quer algo que Bella sabe, ela vai usar esse encantamento para tentar ter essa memória.
- O que Ana quer saber? – Ele pergunta, me sacudindo pelo braço.
- Saber onde Margarida escondeu seu coração.
- Bella sabe? – Ele pergunta, surpreso.
- Acho que Bella sempre soube, mas cada vez que ela perdia a memória, ela se esquecia. – Digo e Edward analisa a situação. — Elas vão tentar fazer isso, roubar essa lembrança.
- Como ela pode fazer isso?
- Se chama magia do inconsciente. – Eu digo. — É o mundo das lembranças, apenas alguém de coração puro pode entrar nele.
- Onde está o perigo nisso? – Edward me pergunta, sem entender.
- Se a pessoa não tiver coração puro, ela morre. – Eu digo. – E o dono da lembrança também.
- Não vamos fazer isso. – Ele diz imediatamente.
- Não mesmo. – A voz era familiar, então ele se fez presente.
- Thomas, está aí há muito tempo? – Edward pergunta.
- Tempo bastante para achar essa conversa meio perigosa. – Ele diz. – Você está sendo vigiada, pequena bruxa.
E ao me dizer isso, Thomas me puxa e me beija do nada. Um beijo singelo e calmo, porém, um beijo!
- Nossa! – A voz de Lucy ecoa atrás de Edward, que se vira surpreso ao ver a jovem. — Por essa eu não esperava.
- Olá, Lucy. – Thomas disse, me puxando para seu lado segurando minha mão como se fôssemos um casal. – Espero que você saiba manter segredo. – Ele comenta. – Te vejo em casa, Edward. Vamos, Tia, deixo você em seu alojamento.
Então ele segue andando comigo em uma direção oposta de onde eu e Edward viemos.
(...)
P.O.V. Edward
Lucy tinha essa mania de aparecer do nada, mas pela primeira vez Thomas fez algo que não levantou suspeitas, o único problema foi ter me deixando para trás para dar explicações para Lucy.
- Desde quando eles estão juntos? – Ela quis saber.
- Já tem tempo. – Digo, evitando dar informações que possam me contradizer.
- Uma casal estranho. – Ela comenta, cheia de veneno. — Seu irmão devia namorar alguém da elite, não alguém como ela.
- Quem disse que o amor escolhe classe? – Digo, incomodado. — O que você quer?
- Estava atrás de você para treinar. – Ela me diz, animada.
- Já treinei hoje. – Eu digo. — Thomas treinou comigo.
- Que pena.
- Você anda muito ocupada ultimamente. – Digo, tentado ver se ela solta algo.
- Desculpa. – Ela diz e dá um sorriso que me deixa enjoado.
- Tudo bem. Você tem direito a ter sua vida.
- Estou ajudando Carmelita. – Ela diz. — Ela está tendo problemas com algumas coisas e estou ajudando.
- Tudo bem, Lucy, você não tem que me dar explicações. – Eu digo. — Afinal, não somos nada a não ser amigos.
Lucy me olha e então vejo ódio nos olhos dela, espero para ver o que ela vai fazer, então suas mãos se fecham em punhos e depois ela me olha de maneira relaxada, suspirando.
- Como anda as coisas entre você e Bella? – Ela perguntou.
- Estamos indo. – Digo. – Passo as tardes com ela, conversando e ajudando ela, tentando fazer ela lembrar.
- Ela nunca vai lembrar. Devia saber disso. – Lucy diz.
- Ainda posso esperar que ela volte a gostar de mim.
- Você é um estranho para ela, não vê isso? Está insistindo em algo que já está acabado.
- Lucy, eu e Bella temos uma história e eu acredito que em algum momento ela volte a se interessar por mim, porque eu sei que ela não vai lembrar, suas memórias estão perdidas.
- Acha que ela vai gostar de você agora? – Lucy diz com ódio e cheia de veneno. — Você é ninguém para ela, sabe por que ela gostava de você? Porque você era fraco e ela podia ficar com as glórias. Agora você é melhor do que ela.
- Eu realmente espero que você esteja errada. – Digo, irritado com ela.
- Edward. – A voz doce e suave veio atrás de mim, eu a conhecia bem. – Estava procurando você, você disse que íamos passear hoje.
- Acho que você está errada, Lucy. – Digo e me viro para Bella, que está linda usando um vestido amarelo florido. — Desculpa, já estava indo ao seu encontro, tive alguns contratempos.
- Tudo bem. – Bella diz, sorrindo. — Rosie e Emmett estavam comigo. Olá, jovem Lucy.
- Olá, Swan. – Lucy diz e então sussurra para que apenas eu possa ouvir. — Depois não diga que eu não avisei.
Então ela some, deixando eu e Bella sozinhos e eu fico grato por isso.
- Vem, vamos. – Eu digo, lhe oferecendo o braço, que ela aceita de bom grado.
Eu gostava dessa Bella, ela era mais doce, mais meiga, gentil com todos, não demostrava arrogância e estava sempre sorrindo. Mas não vou mentir, sentia falta da outra Bella também, era impossível ter as duas, para eu ter uma a outra teria que deixar de existir, e Bella não lembra mais do que ela era antes, ou pelo menos não tudo o que ela era antes.

Continua...

                “Nossa única chance é o elemento surpresa.”
                   ― Transformers: O Lado Oculto da Lua